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Hackers usaram Claude e Grok para automatizar ataques a bancos na América Latina, diz Straiker: o que se sabe e como se proteger

Por Danilo Zemaitis · Publicado em 24 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Notebook em um ambiente escuro com um cartão bancário e um celular sobre a mesa

Um grupo de cibercriminosos chamado CyberCartel teria usado agentes de IA para automatizar ataques contra mais de 400 alvos financeiros na América Latina, segundo a empresa de segurança Straiker. Os hackers usaram Claude e Grok, entre outros modelos, para coletar informações sobre as vítimas e planejar invasões com pouca intervenção humana. A Straiker divulgou as descobertas em 21/10/2026. Este texto separa o que foi confirmado do que é relatado pela Straiker e do que ainda não se sabe, e traz o que fazer para se proteger.

Como fizemos este texto: usamos reportagens do Hardware.com.br, do PYMNTS e do GBHackers (em Fontes). A GeekTech não verificou nada disso de forma independente e não teve acesso ao relatório da Straiker. Quase tudo vem do relato da empresa de segurança, repassado pelos veículos.

O que está confirmado

Segundo o Hardware.com.br e o PYMNTS, duas respostas das empresas de IA aparecem nos relatos:

  • A Anthropic abriu uma investigação depois que a Straiker apresentou os achados e revogou uma credencial usada pelo grupo para acessar o Claude.
  • A xAI foi notificada e iniciou análise das atividades ligadas aos agentes Grok. O PYMNTS não traz resposta da xAI.

O que a Straiker relata (sem verificação independente)

Segundo o GBHackers e o Hardware.com.br, a Straiker descreve a operação assim:

  • O grupo: a Straiker o liga ao CyberCartel, que atuaria desde pelo menos 2012 por motivação financeira.
  • O sistema: uma estrutura chamada CARLIY0S, que coordenaria agentes de IA para localizar vulnerabilidades, planejar invasões e executar operações. Segundo o GBHackers, foi montada sobre o PentAGI, um framework de segurança ofensiva.
  • O papel de cada modelo: agentes baseados em Claude analisariam alvos e tomariam decisões; agentes baseados em Grok (“mineradores”) coletariam informações para um banco de dados chamado FinancialSoft; o modelo Kimi, da Moonshot AI, também aparece no fluxo, sem função esclarecida.
  • Como contornavam as travas: os pedidos eram apresentados como testes de segurança autorizados, e, quando um modelo recusava, o sistema podia recorrer a outros agentes ou a código convencional.
  • Os dados encontrados: um retrato do banco FinancialSoft de 24/09/2026 teria 4.493 registros, entre eles 2.911 e-mails e 903 números de conta, além de senhas, chaves de API e credenciais ligadas a sistemas de pagamento, inclusive ao SPEI, o sistema de transferências do México. O Hardware.com.br fala em 67 senhas em texto simples.

O CEO da Straiker, Ankur Shah, disse ao The Information, segundo o PYMNTS, que a ofensiva está bem à frente da defesa neste momento.

O que ainda não se sabe

  • Quantas instituições foram realmente invadidas. O número de 400 conta alvos, não ataques bem-sucedidos. Os veículos ressaltam isso.
  • Quais instituições foram atingidas: os nomes não foram divulgados.
  • Se há bancos brasileiros entre as vítimas. O Hardware.com.br diz que não há confirmação.
  • Prejuízos: não há contagem verificada de perdas.
  • O papel real de cada modelo. Segundo o GBHackers, algumas entradas de configuração não provam que os modelos foram de fato acionados.
  • O papel do Kimi e se a Moonshot AI respondeu: o relato diz que a Straiker procurava contato com a empresa.

O que o caso mostra sobre ataques com IA

Segundo o Hardware.com.br, a mudança está menos na criação de técnicas inéditas e mais na execução simultânea de tarefas já conhecidas, com mais velocidade e menos operadores humanos. O GBHackers aponta que a ação de um único fornecedor não desmonta uma operação com vários modelos, porque os atacantes podem trocar de modelo ou recorrer a código local. O mesmo veículo observa que a Anthropic já havia publicado, em setembro de 2026, um relatório sobre agentes de IA coordenando etapas de ataques.

Como se proteger

A Straiker e as reportagens trazem poucas recomendações. Do GBHackers vêm três: trocar credenciais e chaves de API, aplicar o menor privilégio de acesso e proteger sistemas de identidade e pagamento; monitorar atividade suspeita em contas, equipamentos e aplicativos; e manter um inventário dos agentes de IA, com as ferramentas e os dados que alcançam, testando se podem ser usados de forma indevida.

As dicas abaixo são orientações gerais da GeekTech, não parte das reportagens.

Para quem tem conta em banco ou app de pagamento:
– Ative a verificação em duas etapas por aplicativo ou chave de segurança, em vez de SMS, quando o banco oferecer.
– Não reaproveite senhas entre serviços e use um gerenciador de senhas.
– Ative os alertas de transação e confira o extrato com frequência.
– Desconfie de contatos que dizem ser do banco. Não passe códigos, senhas ou tokens por telefone, mensagem ou e-mail.

Para quem administra sistemas ou pequenas empresas:
– Troque chaves de API e senhas que possam ter vazado e guarde segredos em cofres, não em arquivos de texto.
– Dê a cada pessoa e a cada sistema só o acesso de que precisa.
– Registre e revise acessos incomuns, principalmente fora do horário e de países que a empresa não usa.
– Se usar agentes de IA com acesso a sistemas, liste o que cada um alcança e limite as permissões.

Perguntas frequentes

O Claude foi invadido?
Os relatos não falam em invasão do Claude. Eles dizem que o grupo teria usado o Claude por meio de uma credencial de acesso, que a Anthropic revogou depois. O que a Straiker descreve é o uso dos modelos como ferramenta dos atacantes.

Bancos brasileiros foram atacados?
Não há confirmação. Os relatos falam em América Latina e destacam o SPEI, do México.

Os 400 alvos foram invadidos?
Não necessariamente. O número conta alvos, e não há contagem de invasões bem-sucedidas.

Como saber se meus dados estão em risco?
Os nomes das instituições afetadas não foram divulgados. Por precaução, ative a verificação em duas etapas, troque senhas reaproveitadas e acompanhe as comunicações do seu banco.

Atualizado em 24 de outubro de 2026. As informações vêm do relato da Straiker, repassado pelos veículos citados, e podem ser revistas.

Imagem: ilustração gerada por IA, sem relação com os fatos descritos.

Fontes

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