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Jailbreak do Switch 2: o que o primeiro exploit por software faz e quais são os riscos

Por Danilo Zemaitis · Publicado em 23 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Console portátil de videogame em silhueta com um cadeado luminoso na tela, cercado por linhas de circuito em azul e ciano sobre fundo escuro.

O jailbreak do Switch 2 deixou de ser promessa: em 22 de outubro de 2026, o pesquisador Sammy Hajhamid (conhecido como pepsipu) publicou o ns2jb, apontado como a primeira forma de rodar código não autorizado no console da Nintendo usando só software, sem chip e sem solda. Ele funciona no firmware 23.0.1, o mais recente, mas tem limites importantes: exige um computador, dura só até o console ser reiniciado e, segundo as fontes, não permite rodar jogos piratas. Para quem tem um Switch 2 em casa, o que importa é entender o que isso muda e qual é o risco de banimento.

Este texto explica o caso em linhas gerais e não traz instruções para executar o exploit.

O que aconteceu

Pepsipu publicou o ns2jb em 22 de outubro, com vídeo e código aberto. Na demonstração, ele alterou o Mario Kart World para incluir personagens como Cinnamoroll e Peter Griffin. Em 24 horas, outros pesquisadores mostraram a API gráfica Vulkan rodando código próprio e um Homebrew Launcher funcionando no console, segundo o Adrenaline.

Segundo o próprio pesquisador, a descoberta contou com ajuda do Codex, da OpenAI, usado como assistente para encontrar e explorar as falhas.

Pouco depois, a Nintendo retirou o SmileBASIC 4, o aplicativo de programação usado como porta de entrada, da eShop. O Adrenaline informa a retirada nos Estados Unidos e na Europa. A Nintendo não comentou o caso, e o Nintendo Life escreve que o app “parece” ter sido removido, sem confirmação oficial.

Como funciona, em linhas gerais

O ataque tem duas etapas, segundo o Tech Times e o Universo Nintendo:

  1. Entrada pelo SmileBASIC 4. O app é do Switch original e roda no Switch 2 pela retrocompatibilidade. Uma falha no interpretador da linguagem permite mexer na memória, e nessa camada de compatibilidade algumas proteções do Switch 2 não se aplicam da mesma forma.
  2. Salto de privilégio no sistema de arquivos. Daí o exploit chega ao módulo de sistema que cuida de arquivos (o “FS”) e ganha mais permissões do que jogos e aplicativos normais têm.

Mike Heskin, o hexkyz, da equipe do Atmosphère, avaliou ao Universo Nintendo que a falha do FS já era conhecida e vista como difícil de explorar. A parte nova, segundo ele, foi como a memória foi organizada para torná-la utilizável, e é aí que a IA ajudou.

O que o exploit faz e o que não faz

O que permiteO que não permite (por enquanto)
Rodar homebrew sem assinatura da NintendoRodar cópias piratas de jogos comerciais
Estudar o sistema (engenharia reversa)Acesso ao kernel ou às chaves criptográficas do console
Modificar jogos, como no teste com Mario Kart WorldFirmware customizado permanente
Copiar e restaurar savesFuncionar sem um computador conectado
Acessar a maior parte dos periféricosSobreviver a um reinício: é preciso rodar tudo de novo

O ns2jb é “tethered”: depende de um computador na mesma rede e precisa ser repetido a cada vez que o console liga. Também exige uma versão específica do SmileBASIC 4 e espaço livre nos dados salvos do app.

Dá para piratar jogos?

Segundo as fontes consultadas, não. O Tech Times diz que o ns2jb foi pensado para excluir a execução de cópias piratas, e o Universo Nintendo lembra que ainda faltam acesso ao kernel e às chaves, uma barreira grande. Nenhuma ferramenta funcional para isso foi demonstrada. Isso pode mudar com novas pesquisas, e ninguém deve tomar o exploit como sinal de que pirataria virou possível.

O que a Nintendo disse e fez

Até agora, a Nintendo não comentou oficialmente. O que se sabe é indireto:

  • A empresa retirou o SmileBASIC 4 da eShop. Isso impede novas compras, mas não desativa as cópias já instaladas.
  • O SmileBASIC é só uma das portas de entrada. O desenvolvedor Gezine disse que o app “não é estritamente necessário”, e o Universo Nintendo observa que outros apps ou o navegador poderiam chegar à mesma falha do FS.
  • Para fechar o buraco do sistema de arquivos, a Nintendo precisaria de uma nova atualização de firmware. O Adrenaline lembra que a empresa costuma tornar atualizações obrigatórias para jogar online.
  • Em 2016, a Nintendo removeu o SmileBASIC da eShop do 3DS por um caso parecido.

Risco de banimento no jailbreak do Switch 2

Este é o ponto que mais interessa a quem não é pesquisador. Nenhuma das fontes diz que usar o ns2jb leva automaticamente a banimento, mas o histórico recente pede cuidado:

  • Segundo o Tech Times, o contrato de usuário atualizado da Nintendo, de maio de 2025, reserva o direito de desativar permanentemente consoles que executem software não autorizado. O risco seria maior em consoles que se conectam à rede da Nintendo depois de rodar o exploit. Usar offline reduz a chance de detecção, mas não a elimina.
  • Desde o lançamento do Switch 2, a Nintendo baniu consoles que usaram cartuchos MIG, inclusive com jogos originais, segundo o Adrenaline.

Nenhuma fonte trata de garantia, e a Nintendo não se manifestou sobre isso. Na dúvida, o termo de uso e a garantia do seu console são o que vale.

O que o dono de Switch 2 deve fazer

  • Se você só joga: nada muda no dia a dia. Mantenha o console atualizado quando a Nintendo liberar firmware novo: é assim que a empresa costuma corrigir falhas desse tipo.
  • Não compre nem instale o SmileBASIC 4 para testar. O app é a porta de entrada, e o resultado pode comprometer o seu console e a sua conta online.
  • Desconfie de “jailbreak fácil” à venda. Sites e vídeos que prometem desbloquear o Switch 2 com um clique, cartuchos ou “pacotes” podem ser golpe, pirataria ou malware. O ns2jb de verdade exige computador, configuração técnica e não roda jogos piratas.
  • Se você é pesquisador ou desenvolvedor: ficar numa versão antiga do firmware significa abrir mão do online, e continua sendo uma escolha com riscos.

A IA no meio da história

O detalhe que mais chama atenção para quem acompanha segurança é a ajuda de um assistente de IA. Segundo o pesquisador, o Codex encontrou e explorou as falhas. Isso não significa que a IA “quebrou” o Switch 2 sozinha: o próprio hexkyz diz que a falha do FS já era conhecida e que a contribuição foi na parte da organização da memória. Mas mostra como ferramentas desse tipo reduzem o tempo entre uma falha existente e um exploit funcional, um tema que também aparece em outros casos recentes, como a falha no PHP.

Perguntas frequentes

O jailbreak do Switch 2 permite jogar de graça? Não, segundo as fontes. O ns2jb não roda cópias piratas, e ainda faltam acesso ao kernel e às chaves.

Meu Switch 2 já está vulnerável? Segundo o Tech Times, consoles na versão 23.0.1 estão no escopo, mas explorar exige um computador e uma versão específica do SmileBASIC 4.

A Nintendo vai corrigir? Ela não confirmou nada. O que se espera, segundo especialistas ouvidos pelo Universo Nintendo, é uma correção em firmware futuro.

Usar o exploit dá banimento? Nenhuma fonte garante que sim ou que não. O contrato de usuário prevê a desativação do console, e a Nintendo já baniu consoles por uso de cartuchos MIG. É um risco real.

Isso afeta quem usa o console normalmente? Não. Para quem só joga, nada muda no dia a dia.

Atualizado em 23 de outubro de 2026.

Imagem: ilustração gerada por IA, sem relação com o design oficial do console.

Fontes

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