Rede social não é inútil, diz Clay Shirky

O ensaísta, pesquisador e escritor americano Clay Shirky defendeu hoje, em São Paulo, que as redes sociais não são pura perda de tempo e disse que a colaboração online pode revolucionar a política e a educação no mundo.

Autor do livro “A Cultura da Participação” e articulista de publicações como NY Times e Wall Street Journal, Clay visitou São Paulo a convite da operadora Vivo para falar sobre o futuro da internet.

Na opinião do guru americano, as principais contribuições que a web trará às pessoas nos próximos anos não serão tecnológicas, mas sim sociais. “Muita gente possui tempo livre e pode usá-lo a favor de ações sociais sem sair de casa, simplesmente usando a web. Pessoas podem atuar, por exemplo, disseminando conteúdo educacional de forma colaborativa”,  anotou.

Shirky citou recentes mobilizações sociais no Quênia e na Índia que se basearam no uso da web para organizar as pessoas em torno de ações contra a violência e a favor da educação.

“A internet, por meio de um movimento colaborativo, pode melhorar muito a educação em vários países. Estudantes de várias partes do globo podem se ajudar a aprender”, afirmou.  Um obstáculo óbvio ao uso da web para esse fim é o fato de muitas pessoas não terem acesso à banda larga hoje em dia. “Infelizmente, metade da população mundial ainda está sem acesso à internet” disse.

Questionado sobre o real papel das redes sociais, como Twitter e Facebook, Shirky disse elas são usadas para compartilhamento de assuntos banais, mas também podem ser um meio de abordar questões mais sérias.

“Redes sociais têm coisas bobas e coisas sérias. Podem ser usadas para discutir sobre futebol, fazer piadas e tratar de temas divertidos, mas ao mesmo tempo podem causar uma revolução. É possível passarmos de discussões mais sérias para debates sobre coisas banais e vice-versa”, opinou.

Shirky também tratou sobre o uso das redes de relacionamento social por parte das empresas. “As empresas podem usar as redes sociais, como o Twitter, para interagir com os clientes. Não só para promover seus produtos. Um exemplo disso é a Best Buy, que usa a ferramenta para ajudar o consumidor quando ele tem alguma dificuldade ou encontra algum problema com algo que comprou. A rede social tem essa função colaborativa”, declarou.

(Fonte: Info Exame)

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