Jobs trabalhava em iTV

 A lista de não-produtos da Apple – onde já estão iPhone 5, iPad 3 e iPad HD – ganhou mais um item nos últimos dias: o iTV. Desde que Walter Isaacson escreveu, em sua muito comentada biografia de Steve Jobs, que o fundador da Apple pensava bastante em como melhorar o televisor, muita gente teve certeza de que a Apple tem um iTV no forno.

O relato de Isaacson veio reforçar um rumor que existe há muitos anos – o de que a Apple entraria no mercado de televisores. A empresa já tem um produto nessa área, o Apple TV, um pequeno dispositivo eletrônico que recebe imagens da internet ou de um computador e envia ao televisor. Além disso, os monitores Apple Cinema Display podem exibir filmes em alta resolução. Eles só não têm o receptor de TV propriamente dito.

Isaacson diz que Jobs “queria fazer pelos televisores o que havia feito pelos computadores, players de música e celulares: torná-los simples e elegantes”. Ele cita o fundador da Apple dizendo: “Eu gostaria de criar um televisor integrado totalmente fácil de usar. Ele trabalharia em sincronismo perfeito com todos os dispositivos eletrônicos do usuário e com oiCloud”.

Eu resolvi

A ideia de Jobs era que as pessoas não precisassem mais usar meia dúzia de controles remotos cheios de botões para comandar os aparelhos na sala. “Ele terá a mais simples interface com o usuário que você puder imaginar. Eu finalmente resolvi isso”, disse Jobs.

Esta última frase (“I finally cracked it” no original em inglês) é que deu a entender que o iTV estaria muito perto de virar realidade. Como já havia acontecido com o iPhone 5 e o iPad 3, ilustrações mostrando como poderá ser o televisor da Apple começaram a surgir na internet. Algumas das melhores foram criadas pelo brasileiro Guilherme Schasiepen (acima).

E como seria o iTV? Nos desenhos de Schasiepen, é um televisor com uma fina tela sensível ao toque, um logotipo em forma de maçã na traseira e nenhum botão de controle na frente – como é esperado de um produto da Apple. Uma câmera na parte superior seria usada para bate-papos com vídeo usando o recurso FaceTime, existente em outros produtos da Apple.

O iTV trabalharia conectado à internet e receberia imagens do iCloud e de outros dispositivos. A transmissão seria feita por meio do recurso AirPlay, também já existente em outros produtos da Apple. A tela seria 3D, mas com tecnologia que dispensa o uso de óculos para a visualização. Além disso, o televisor traria o software Siri, do iPhone 4S, que recebe comandos de voz do usuário.

Controles remotos

Tudo isso é possível, é claro, mas não resolveria o problema dos múltiplos controles remotos com muitos botões. Afinal, a maioria dos potenciais compradores do iTV teria também outros aparelhos, como decodificador de TV a cabo, player de Blu-ray, console para jogos e home theater. E cada um deles tem seu próprio controle.

Por mais que a Apple caprichasse na interface, no instante em que o usuário ligasse, por exemplo, seu decodificador de TV a cabo, ele passaria a ver, na tela, os menus da operadora de TV. Em outras palavras, o fabricante do televisor não é 100% dono da interface com o usuário. O aparelho exibe também as interfaces dos outros dispositivos conectados a ele.

Steve Jobs estava consciente dessas dificuldades. Num debate durante o evento D8, no ano passado, ele respondeu a uma pergunta sobre o assunto: “A única maneira de mudar isso é voltar ao princípio, desmantelar o decodificador, começar do zero com uma interface redesenhada e apresentá-la ao consumidor de forma que ele aceite pagar por isso. E, no momento, não há nenhuma maneira de fazer isso. Esse é o problema com o mercado de TVs.”

Mas não é só isso. A estratégia habitual da Apple é ter produtos atraentes e avançados para poder cobrar mais do que os concorrentes. Assim, a empresa se mantém bastante lucrativa. No mercado de televisores, porém, é difícil se diferenciar dos concorrentes. Todos os aparelhos da geração mais recente têm praticamente os mesmos recursos – acesso à internet, tela full HD, imagens em 3D e várias entradas HDMI para a ligação de dispositivos externos.

A maioria dos consumidores se sente satisfeita com esse cardápio de recursos e não acha que o controle remoto cheio de botões seja um grande problema. Além disso, a variedade de programas e filmes não depende, é claro, do televisor. Todos têm acesso à mesma programação. Assim, é provável que poucas pessoas estejam dispostas a pagar mais para ter o logotipo da maçã e uma interface mais simples e elegante no televisor.

Baixas no mercado

Na verdade, a competição entre os fabricantes tem estreitado as margens nessa área. A Philips, um dos fabricantes mais tradicionais, colocou a venda seu negócio de televisores neste mês. Uma estimativa corrente no mercado indica que a empresa holandesa perdeu 1 bilhão de euros nessa área nos últimos quatro anos. A Sony, que também enfrenta dificuldades na área de TVs, divulgou que vai dividi-la em três para reduzir custos e atender melhor a segmentos específicos.

E nenhuma dessas duas empresas pode ser acusada de ter produtos ultrapassados. Ambas contam com as tecnologias mais recentes, também encontradas em produtos das rivais LG e Samsung, que hoje lideram esse mercado. Considerando tudo isso, é muito provável que, pelo menos por enquanto, o Apple iTV continue sendo apenas fruto da imaginação fértil de designers como Schasiepen – a menos que a empresa da maçã tenha mesmo algo muito surpreendente para anunciar.

(Fonte: Info Exame)

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