Facilidades de um tablet : Win8 X OSLion X Chrome OS

Se você é daqueles que pedem ajuda ao filho, ao sobrinho ou ao vizinho toda vez que precisa instalar um programa no seu PC ou se você é o filho, o sobrinho e o vizinho que vive o pesadelo de ser requisitado o tempo todo, uma ótima notícia: os novos sistemas operacionais serão tão fáceis e intuitivos que até o maior dos tecnofóbicos vai se virar sozinho.

Assim como ocorreu entre os anos 1980 e o início da década de 1990, quando Apple e Microsoft moldaram a cara do computador pessoal, a interface dos sistemas operacionais vai passar por um grande ajuste e se tornará tão amigável quanto a do iPad, do Xoom ou do iPhone.

Ninguém tem dúvidas de que usar um smartphone ou um tablet é bem mais simples do que lidar com um desktop e o notebook. Em dois anos, o modo como interagimos com esses diferentes aparelhos vai se tornar cada vez mais parecido, tornando-os acessíveis para quem fica perdido na hora de fazer uma operação mais complexa.

As novas versões do Windows e do Mac OS X pretendem incorporar funcionalidades que já fazem sucesso em equipamentos móveis. A mesma inspiração está presente no Chrome OS, o novo sistema operacional do Google para portáteis. Os primeiros notebooks com a grife Google desembarcam este mês nos Estados Unidos e em seis países europeus (Reino Unido, França, Espanha, Alemanha, Itália e Holanda). No INFOlab, um deles chegou em maio. Testamos o CR-48, o primeiro protótipo de notebook com Chrome OS, e a reação inicial foi de espanto, porque tudo o que se vê, após uma rápida inicialização, é um browser.

A primeira característica comum ao Windows 8, que deve chegar em 2012, ao Mac OS X Lion (10.7), previsto para o segundo semestre deste ano, e ao Chrome OS é a incorporação de uma loja de aplicativos nos mesmos moldes da App Store, da Apple, e do Android Market, do Google. Embora esse serviço fosse uma das novidades do Lion, Steve Jobs não quis esperar. Os Macs com Snow Leopard, versão lançada em agosto de 2009, ganharam acesso à Mac App Store no começo do ano, e a experiência tem sido um sucesso. No primeiro dia, os downloads de aplicativos atingiram a marca de 1 milhão. Já o Chrome OS contará com a Chrome Web Store, liberada também para usuários do navegador. No Windows 8, sabe-se pouco ainda sobre a loja. Alguns indícios, como o logotipo a ser adotado, já foram encontrados por blogueiros que tiveram acesso à segunda versão de desenvolvimento do sistema operacional, a Milestone 2.

Em qualquer dos três sistemas operacionais bastará escolher o software e clicar em um botão para que o programa seja baixado e instalado. A compra de aplicativos também vai funcionar de modo simples, por meio do cadastro prévio de um cartão de crédito associado a uma conta de usuário. A ideia é repetir a mesma experiência de baixar aplicações em um tablet ou smartphone. Será possível também consultar a opinião de outras pessoas que fizeram download do programa, descobrir novidades indicadas por uma equipe especializada e aproveitar toneladas de opções gratuitas. Tudo indica que o modelo de venda de CDs ou DVDs com programas e games está com os dias contados.

Mouse, para que te quero?

A experiência das telas sensíveis ao toque também será aproveitada nos novos sistemas operacionais, mas de maneiras distintas. No Mac OS X, gestos e multitoque já são usados no trackpad dos MacBooks ou no Magic Trackpad, dispositivo para desktops que substitui o mouse. No Lion, contudo, essa interação será elevada à enésima potência. O sistema vai interagir com uma quantidade muito maior de movimentos. Alternar entre home pages visitadas no navegador Safari, por exemplo, será como virar as páginas de um livro. Ao correr três dedos na vertical, o usuário abrirá o Mission Control, central que mostra tudo o que está em uso no computador. Não está prevista a adoção de monitores touchscreen, uma vez que o ato de levantar o braço para clicar é visto pela Apple como uma tarefa cansativa.

Embora o Windows 7 já seja compatível com telas sensíveis ao toque, pouquíssimos fabricantes aproveitam essa capacidade. Isso pode mudar com o Windows 8. Entre as pistas deixadas nas versões de desenvolvimento está o login por meio de um desenho geométrico e o desbloqueio da tela, feito quando se pressiona a seta do teclado que aponta para cima. Serviços amigáveis ao toque incorporados à interface são uma novidade. A Microsoft poderia até adotar o Kinect – acessório do console Xbox que responde a movimentos – para permitir a operação do Windows 8 com gestos. As pistas parecem apontar ainda para uma versão compatível com tablets, algo que a empresa tenta emplacar há anos, sem sucesso.

Os dois primeiros modelos de notebooks com Chrome OS, ou Chromebooks, vendidos pela Samsung e pela Acer, não terão tela sensível ao toque. Apesar disso, relatórios de erro do sistema indicam que existe um protótipo com essa capacidade. Com o codinome Seaboard, o aparelho seria um tablet ultrassecreto. Futuras versões do Chrome OS, já em teste, mostram que a interface está sendo preparada para lidar com esses dispositivos. Como trata-se de uma tendência, é bem possível que a ideia seja mesmo levada adiante.

Espelho, Espelho meu

Tablets e smartphones também vão emprestar características das suas interfaces para o Mac OS X Lion e o Windows 8. A Apple criou o Launchpad, um ambiente em que ficam instalados todos os aplicativos do computador. Semelhanças com as telas recheadas de apps do iPad não são uma coincidência. A navegação, feita com a ponta dos dedos, é idêntica. Para criar uma pasta, basta arrastar um aplicativo sobre o outro, como no iPad ou no iPhone. Os botões dos menus ganharam um visual bem parecido com o dos usados pelo iOS, como o que faz o desbloqueio da tela.

Mesmo nas primeiras versões do Windows 8, não são poucos os usos da interface Metro UI. Criada para o tocador de música Zune e para o Windows Media Center, o design tornou-se o coração do Windows Phone 7. Suas características são o uso intensivo de quadrados, da cor azul e de uma fonte bem moderna e grande, a Segoe WP. A Metro aparece nas telas de login e logoff, no aplicativo de controle da webcam e no Immersive Browser, uma versão compactada do Internet Explorer. Como visualmente a Milestone 2 ainda se parece muito com o Windows 7, não dá para saber com que profundidade o sistema vai incorporar a nova cara. A mudança é um passo importante para garantir a mesma identidade visual entre os produtos da Microsoft.

A interface Ribbon, desenvolvida para o Office 2007 e 2010, também está presente. A larga faixa de botões na parte superior da janela – que facilita o acesso a funções que ficavam praticamente escondidas dentro de menus internos – apareceu no gerenciador de arquivos Windows Explorer. Com isso, funções como copiar, mover uma pasta ou deletar ficaram mais à mostra. A Ribbon surge ainda em uma janela que concentra todos os aplicativos instalados no sistema operacional, similar à lista de programas de um smartphone.

Uma nuvem para todos

Na nova safra dos sistemas operacionais, a integração com a internet será obrigatória. O Windows 8 indica que o ID do Windows Live Messenger poderá servir como login, o que permitiria sincronizar as preferências do usuário entre diferentes máquinas. Na versão em desenvolvimento, um menu indica que o serviço facilita o compartilhamento de arquivos. Isso significa que a Microsoft pode estar pensando em armazenar na nuvem parte dos arquivos dos HDs dos usuários. Não é possível saber se seria uma forma de backup ou uma maneira de ter uma pasta virtual, capaz de guardar alguns gigabytes.

Quem usa o Mac OS X já pode ter uma pasta online, o iDisk, disponível para quem contrata um plano do serviço MobileMe. É provável que o Lion incorpore uma integração maior com a web. Rumores indicam que a Apple esteja preparando uma versão online do iTunes, que permitirá ouvir as músicas adquiridas na loja em qualquer dispositivo. Especula-se ainda que isso seria parte de um serviço maior, o iCloud. Não por acaso, a Apple construiu um data center de 1 bilhão de dólares na Carolina do Norte.

No Chrome OS, a internet é a alma. Os aplicativos dependem da web para funcionar, o que tem uma grande vantagem: tudo estará armazenado online. Se o notebook for roubado, é só fazer login em outra máquina para recuperar os dados. Dá ainda para salvar, no notebook, arquivos que estão online ou transferir conteúdo de pen drives e cartões de memória para a máquina e, pela janela do Chrome, acessar músicas, fotos e vídeos. Textos e planilhas precisam ser enviados para um serviço como o Google Docs. Quando não há conexão por Wi-Fi ou 3G, a vida fica bem difícil.

A competição entre Microsoft, Apple e Google ainda esconde uma série de surpresas. O troféu dessa corrida irá para quem conseguir facilitar a vida do usuário e, de quebra, agregar mais inovações. Independentemente do vencedor, é certo que o jeito como todos vamos usar o computador vai mudar em pouco tempo – e para melhor, muito melhor.

Pronto para o Chrome OS?

A aposta do Google ao criar o Chrome OS é um tanto ousada. O sistema operacional funciona em notebooks com hardware básico e é totalmente dependente de uma conexão com a internet. Essas características podem afastar usuários mais experientes. Muitos vão se perguntar se vale a pena usar um computador tão limitado. Mas o Google aposta em dois trunfos: rapidez e simplicidade.

Quando o notebook CR-48, o primeiro protótipo com Chrome OS, chegou ao INFOlab, a reação inicial foi de espanto. Afinal, terminada a inicialização, o que se enxerga é apenas um browser. Tudo roda na janela do Chrome, até mesmo o gerenciador de arquivos. Isso não é obstáculo para dar conta da maioria das tarefas básicas do dia a dia, como escrever um texto, redimensionar uma foto, atualizar uma planilha, espiar as redes sociais e checar e-mails. Basta se adaptar. Como a tela de login surge em 10 segundos, o acesso à web é quase instantâneo.

Mais do que substituir os PCs atuais, o sistema serve como complemento. Claro que ainda há muito o que melhorar. Graças ao hardware limitado (um processador Atom N455 de 1,66 GHz, da Intel, e 2 GB de RAM), o CR-48 pediu água ao rodar aplicativos online mais parrudos e vídeos em alta definição no YouTube. Um filme em MPEG-4 e 720p, copiado para o computador, travou quatro vezes quando exibido em tela cheia, mas áudio em MP3 e filmes de até 480p rodaram sem engasgos. Faltam também aplicativos que funcionem offline. Sem isso, a máquina vira um peso de papel sempre que a conexão cai. Sob uso intenso, a bateria durou cerca de quatro horas e meia, o que é uma boa marca. O que mais pode atrapalhar o Chrome OS é o preço dos Chromebooks, de 349 a 499 dólares. O valor é equivalente ao de máquinas mais simples com Windows e de tablets com Android e iOS. Será que os consumidores não vão optar pelos sistemas que já conhecem?

(Fonte: Info Exame)

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