Eventos via Facebook tomam as ruas no Brasil

Igual a países arábes e europeus, Brasil aprendeu como usar as redes sociais para mobilização popular

 

Assim como a Tunísia, o Egito e a Espanha, o Brasil parece ter descoberto as redes sociais como meio de mobilização social, ferramenta política e de transparência.

Nas duas últimas semanas, dois eventos organizados por meio do Facebook tomaram as ruas e chamaram a atenção de autoridades e da opinião pública. E mais um deve acontecer amanhã.

Primeiro, o “Churrasco da Gente Diferenciado”, convocado na rede social após a desistência do Governo em construir uma estação de metrô no bairro de Higienópolis, reuniu cerca de 500 pessoas em frente ao shopping local e demais ruas do bairro no último dia 15. O evento contou mais de 50 mil adesões no Facebook.

No último sábado, a Marcha da Maconha, também amplamente divulgada via Facebook, reuniu centenas de pessoas sob o vão do Masp, na avenida Paulista. A Polícia Militar usou balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes. Seis pessoas foram presas e libertadas após assinar um termo de circunstanciado por desobediência.

Para a pesquisadora Pollyana Ferrari, o uso da web para mobilização demonstra o amadurecimento do meio. “As plataformas sociais estão prontas. Vai ser a vontade política e social do cidadão que fará um assunto explodir ou não”.

Como exemplo bem-sucedido de mobilização online ela cita o apoio organizado por meio da web durante as chuvas que atingiram a região serrana do Rio no início do ano. “O ativismo no Twitter fez, por exemplo, que a hashtag #naofoiaciente ganhasse os trends topics”, aponta também citando o episódio onde um funcionário público atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre, em fevereiro deste ano. Em seguida, ele foi indiciado.

Tão logo as manifestações acontecem, elas já são reportadas por meio de fotos e mensagens no Twitter. Em seguida, rendem posts em blogs que são compartilhados no Facebook, gerando uma transparência que independe da grande mídia.

Para Pollyana, essa mudança é proporcionada pela democratização da tecnologia. “Como dizia o geógrafo Milton Santos: ‘saímos da era tecnológica para entrarmos na era popular’”, diz ela. “As plataformas estão disponíveis para o uso coletivo de cada povo”, completa.

Exemplo da migração de protesto online para a grande mídia aconteceu no último domingo (22). Após repercutir no YouTube com um vídeo onde critica a falta de incentivos destinada aos professores do Estado do Rio Grande do Norte, a professora de português Amanda Gurgel participou do programa “Domingão do Faustão”.

Reprimidos pela PM no último sábado, os participantes da Marcha da Maconha voltaram à web para organizar uma nova manifestação. Assim surgiu a Marcha da Liberdade. Marcada para amanhã, o evento já conta com mais de 4500 adesões no Facebook até o momento.

(Fonte: Info Exame)

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