Artista leva 3D para ilustrações

Imagens do livro Asphalt Renaissance (Renascença do Asfalto, em português), do americano Kurt Wenner

O americano Kurt Wenner mistura estilos artísticos, geometria e a experiência que ganhou na agência espacial americana para criar desenhos de ilusão de ótica que fazem sucesso em Paris, Nova York e Roma.

Muito antes de James Cameron e seu blockbuster Avatar, Kurt Wenner já criava mundos em 3D. Com uma diferença: ele usa apenas giz, régua e compasso em seus trabalhos. Aos 52 anos, o americano é referência na arte de provocar ilusão de ótica em desenhos feitos no chão. Dos Estados Unidos, Wenner falou a INFO sobre como mistura geometria com técnicas renascentistas e barrocas. E sobre seu trabalho na Nasa, onde criava paisagens de outros planetas. Acompanhe os principais trechos da entrevista.

Como é sua técnica de pintura em 3D?

A pintura tridimensional nas ruas é uma invenção minha. Criei estudando um tipo de anamorfismo (ilusão de ótica que torna uma imagem irreconhecível, a não ser que seja vista de determinado ângulo) que existia no século 17. Durante décadas, artistas criaram peças que deveriam ser vistas de um ponto de vista específico. No teto das igrejas barrocas, por exemplo, as figuras são alongadas para parecerem normais do chão. Outros artistas usam uma geometria tradicional, que não envolve cálculos complicados. Não entendem que minha geometria é única.

Quais materiais utiliza nos desenhos?

Uso só compasso, régua comum e réguas triangulares. Raramente uso uma régua T. Ainda faço a mão os cálculos das perspectivas em 3D. Mesmo quando trabalhava na Nasa, os gráficos de computador ainda não tinham sido inventados. Desenhávamos e pintávamos os diagramas de naves a mão. Não acho que há nada errado com ferramentas digitais, mas a falta de experiência com técnicas tradicionais pode criar um buraco na educação de um artista.

Como você foi parar na agência espacial americana?

Aos 21 anos tinha aula com um dos cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. Ele me pediu para criar uma perspectiva de um espectrógrafo de massa. Nenhum dos artistas no laboratório conseguiu fazer por causa do número de ângulos e curvas envolvidos. Eu fiz.

Que tipo de trabalho fazia como ilustrador da Nasa?

Tinha de ler plantas de estruturas incomuns e desenhá-las, criar perspectivas de paisagens de outros planetas e naves. Perguntava aos físicos sobre as propriedades dos gases na atmosfera de um plneta a uma temperatura qualquer e aí traduzia tudo em desenho ou pintura. Criei imagens de projetos em Marte, Vênus e até mesmo no Sol. Elas eram desenhadas a mão, a partir de dados científicos.

(Fonte: Info Exame)

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