5 tendências que vão ganhar forças nos smartphones

O celular já serviu só para fazer telefonemas. Depois, ganhou funções de calculadora, agenda e transformou-se num computador pessoal.  Destacamos 5 tendências que vão fazer o smartphone substituir todos seus outros objetos. Até a carteira!

1 – Vídeo por Wi-Fi na TV
A força bruta para rodar vídeos em alta definição (720p) ou mesmo em full HD (1 080p) já é realidade nos atuais smartphones mais sofisticados e deve se tornar padrão com a invasão dos processadores dual core e, futuramente, quad core. A interface Wi-Fi no padrão 802.11n também.

Assim, o smartphone já está pronto para se integrar à rede da casa e fazer o papel de um player capaz de enviar vídeos em alta definição para a TV sem que a imagem fique engasgando por falta de músculos do aparelho ou largura de banda no Wi-Fi. Acaba também a preocupação de plugar cabos para ligar o smartphone aos televisores compatíveis. O protocolo que faz com que o celular veja os outros dispositivos conectados à rede doméstica, como servidores de conteúdo multimídia, e também seja visto como tal, atende pela sigla DLNA, de Digital Living Network Alliance.

Pela TV, o acesso ao acervo de vídeos, fotos e músicas do smartphone é feito de forma simples e intuitiva. Futuramente, é possível que o envio de vídeos do celular para a TV pela rede sem fio também seja realizado por meio da tecnologia WiDi (Wireless Display), da Intel, que começa a aparecer nos laptops. “Vamos colocar o WiDi em tablets e smartphones no ano que vem”, afirmou Paul Otellini, CEO da Intel, durante apresentação no Mobile World Congress, em Barcelona. Otellini também anunciou que a Intel entrará no mercado de processadores para smartphones.

2 – O celular paga a conta
O smartphone já tomou o lugar da agenda, do MP3 player, do videogame portátil, da TV de mão e do GPS. Em breve substituirá também a carteira e irá com você ao supermercado, ao posto de gasolina ou ao cinema. Para pagar as contas com o aparelho, será preciso apenas aproximá-lo de um leitor no caixa para que a transação seja feita instantaneamente, com grau zero de complicação. Entre as tecnologias prontas para ampliar ainda mais as utilidades do celular, uma das mais promissoras é o NFC (Near Field Communication), recurso apontado como o responsável por transformar de vez o smartphone em carteira eletrônica. “A principal vantagem do NFC é a combinação de rapidez e mobilidade. A transação será muito mais rápida do que a realizada com cartões com chip ou tarja magnética”, diz Percival Jatobá, diretor executivo de produtos da Visa do Brasil. Trata-se da mesma tecnologia do Bilhete Único, cartão com chip adotado nos ônibus e no metrô de São Paulo para liberar as catracas com a aproximação do bilhete.

O NFC é uma tecnologia de transmissão sem fio por radiofrequência para dispositivos colocados a uma distância inferior a 10 centímetros. Funciona de forma simples e rápida. Em aplicações de pagamento eletrônico, o estabelecimento possui um leitor para que o cliente aproxime o celular ou outro objeto (como um relógio ou um cartão de plástico) onde exista um chip NFC e as credenciais bancárias necessárias para a transação. Os dados são transferidos e o lojista finaliza a operação, como se o cliente tivesse inserido o cartão na maquininha.

Para aumentar a segurança é possível configurar o aplicativo que gerencia a carteira eletrônica para exigir senha de autenticação. A troca de dados é criptografada e a pouca distância entre transmissor e receptor dificulta a interceptação dos dados.

Um requisito elementar para os sistemas de pagamentos por NFC emplacarem é a oferta de celulares compatíveis, que atualmente é mínima, mas deve aumentar em breve. O Nexus S, o smartphone do Google com Android 2.3 Gingerbread, produzido pela Samsung, é um dos poucos modelos disponíveis. Os novíssimos Galaxy S II e Wave 578, apresentados no Mobile World Congress, em Barcelona, serão os próximos modelos da empresa coreana com chip NFC embutido. A Nokia anunciou, em junho passado, que todos os seus celulares lançados em 2011 terão NFC e liberou recentemente um modelo com o recurso, o C7. Porém, as transações por NFC no C7 só serão possíveis após um upgrade de firmware ainda sem data confirmada.

Durante um seminário sobre pagamentos móveis no MWC, Andrew Bocking, vice presidente de gerenciamento de produtos de software da RIM, a dona do BlackBerry, disse que “o NFC será tão comum em smartphones quanto Wi-Fi, Bluetooth ou GPS”. Questionado em outro painel do congresso sobre quantos BlackBerry teriam NFC, Jim Balsillie, co-CEO da RIM, respondeu: “Muitos, se não a maioria”. A Apple, como de hábito, permanece calada, mas é personagem dos rumores mais fortes. Além de incorporar a tecnologia NFC ao iPhone 5 e ao iPad 2, a companhia de Steve Jobs estaria preparando a sua entrada no mercado de meios de pagamentos no mundo físico oferecendo uma carteira eletrônica vinculada a contas do iTunes e da App Store. Segundo o instituto Gartner, das 160 milhões de contas do iTunes e da App Store, aproximadamente 10 milhões estão ativas com a compra de músicas e aplicativos.

Japão e Coreia na frente
Para contornar a escassez de celulares com NFC nativo, a maioria das quase 150 iniciativas em curso envolvendo pagamentos com o uso da tecnologia é feita por meio de aparelhos com kits com antena e adaptador para o SIM card (soluções fornecidas pela Gemalto, Oberthur Technologies e GD Burti) ou com cartão microSD com antena NFC. Este último, o In2Play, da Device Fidelity, possui até uma versão em forma de case para o iPhone, contornando assim a falta de slot para cartão no smartphone da Apple. É com o In2Play que a Visa trabalha em seus projetos PayWave nos Estados Unidos, em parceria com bancos como o Bank of America e o Wells Fargo. Os smartphones transformados em carteiras eletrônicas são o iPhone e os BlackBerry 9000, 9630 e 9700.

Por lá, em novembro passado, as operadoras AT&T, Verizon e T-Mobile USA, que somam 220 milhões de assinantes, se uniram em um projeto chamado Isis para introduzir um sistema de pagamento móvel baseado em NFC. Na Europa, a cidade de Londres, sede das Olimpíadas de 2012, que tem como um dos patrocinadores a Visa, deve ser o primeiro local a adotar massivamente o pagamento por celular por proximidade fora do Japão e da Coreia do Sul. As telefônicas do Reino Unido trabalham ainda para que em pelo menos cinco cidades todos os pontos de venda aceitem pagamento por NFC.

No Japão, a operadora NTT DoComo oferece sua carteira eletrônica desde 2004, enquanto a coreana KT possui um sistema para pagamento de tarifas de transporte público com a aproximação do celular desde 2002. As duas companhias firmaram acordo para que, a partir de 2012, seus clientes possam usar smartphones Android com NFC no país vizinho para realizar pagamento de compras e de passagens para metrô, trens e ônibus.

NFC no Brasil
Por aqui, os programas baseados em NFC no celular até existem, mas estão bem distantes da escala comercial. Em setembro de 2009, ao lado de Bradesco, Banco do Brasil e Cielo, a Visa iniciou um piloto com o Visa PayWave. A participação ainda está restrita a clientes convidados pelos bancos. Eles recebem um celular com NFC embutido, o Nokia 6212, modelo atualmente descontinuado, e um SIM card personalizado com a carteira eletrônica. A Visa diz que o projeto está em vários Estados, mas não revela quantos usuários podem pagar contas com o celular NFC nem o número de estabelecimentos que o aceita.

As entidades financeiras e as operadoras brasileiras reconhecem a importância do NFC, mas não compartilham do frenesi que cerca a tecnologia lá fora. Há várias razões para isso. As mais apontadas são a falta de uma motivação clara para a adoção da tecnologia, o esforço necessário para equipar e educar todos os elos da cadeia de pagamentos — a falta de aparelhos com NFC. É consenso que não se trata de uma tecnologia com penetração massiva num país com a nossa base de pré-pagos.

“O NFC é só um canal de transmissão. O primeiro passo seria trabalhar desde os estabelecimentos até os emissores de cartão para fazer a conversão. O segundo é convencer a operadora a distribuir celulares com NFC e o SIM card com a aplicação de pagamento”, diz Ricardo Pareja, diretor de plataformas móveis da MasterCard. Ao falar das dificuldades para a adaptação dos pontos de venda, Pareja traça um paralelo com a transição dos cartões de tarja para o de chip. Naquela ocasião existia um grande estímulo por questões de segurança. Com o NFC a situação é diferente. “Não há uma motivação por causa de fraudes. Por isso, a adoção fi cará limitada a nichos onde a tecnologia sem contato faça sentido e onde a velocidade de pagamento é importante, como no transporte público, no pedágio e em restaurantes de fast food.”

3 – Nasce o Webtop
Ninguém mais duvida de que o smartphone tornou-se um poderoso computador de bolso. A questão que começa a ser discutida é se ele está pronto para substituir o desktop. Para Eric Schmidt, presidente do Google, a resposta é sim, está. “O primeiro objetivo dos smartphones ainda é a comunicação, seguida pela crescente capacidade computacional, que é o que mais nos empolga atualmente”, disse Schmidt em sua palestra no Mobile World Congress, em Barcelona. “O smartphone é o novo computador. Suas vendas ultrapassaram as de PCs e esse crescimento não dá sinais de parar. Em dois anos, os smartphones superarão os PCs em número e também em soluções.”

Alguns podem achar que há uma dose de exagero nas palavras de Eric Schmidt, empenhado em valorizar a plataforma Android, do Google. Quem precisa de uma máquina para tarefas mais pesadas, como edição de vídeo, jamais abrirá mão de seu desktop ou notebook. Porém, para aquele que só quer navegar na internet, editar documentos com a ajuda de um teclado convencional e cumprir outras tarefas básicas, soluções como o conceito de webtop, proposto pela fabricante Motorola, pode fazer todo o sentido.

Docks espertas
Junto com o smartphone Atrix 4G, a Motorola apresentou em Barcelona acessórios que transformam o celular em desktop ou em notebook em segundos. Não é preciso fazer boot, configurar ou sincronizar absolutamente nada. Plug and play total, como a INFO conferiu em uma apresentação exclusiva feita por Edson Bortolli, diretor de produtos móveis da Motorola. O centro de tudo é o Atrix 4G, um dos mais robustos smartphones de última geração. Em fevereiro, ele entrou em pré-venda nos Estados Unidos (200 dólares, em contratos de dois anos), mas ainda não há previsão de chegar ao Brasil. A sua configuração é baseada no chipset Nvidia Tegra 2, com processador dual core de 1 GHz, GPU GeForce, 1 GB de memória RAM, conexão 4G (HSPA+) e Android 2.2 Froyo atualizável.

A conversão do Atrix 4G em desktop é feita com o Entertainment Access Kit (190 dólares), formado por uma pequena dock com saída HDMI, portas USB, teclado Bluetooth, mouse e controle remoto. Ao encaixar o Atrix 4G no bercinho, automaticamente é aberto na tela grande o aplicativo Webtop. Ele reproduz a interface do smartphone e oferece aplicativos para o uso em tela cheia, como um navegador idêntico ao encontrado em computadores (o Firefox 3.6), e um software de media center, pelo qual foram reproduzidos vídeos com resolução full HD numa televisão sem qualquer falha durante o test-drive realizado pela INFO.

Para editar textos e planilhas e visualizar apresentações basta recorrer ao pacote de escritório QuickOffice instalado no Android. Outra alternativa é apontar o browser para o Google Docs ou outros aplicativos baseados na nuvem. Acionando um atalho na barra do Webtop, dá até para trabalhar em um ambiente Windows virtual, desde que o usuário possua uma conta no serviço oferecido pela Citrix. Mais legal ainda do que trabalhar no Atrix 4G como um desktop é experimentar a sua Lapdock (500 dólares). Como o nome indica, ela é uma espécie de netbook “burro” com tela de 11,5 polegadas, teclado completo, portas USB e bateria. A inteligência surge quando o Atrix 4G é encaixado em um suporte atrás da tela e a operação do smartphone, inclusive a alimentação elétrica, é transferida para a lapdock. Com isso, não é difícil imaginar que o Atrix 4G e a sua lapdock têm tudo para se transformar no objeto de desejo de quem vive saltando de aeroporto em aeroporto.

4 – O PlayStation entra no jogo
Do Tetris em celulares jurássicos ao fenômeno Angry Birds no iPhone e em aparelhos com Android, os jogos sempre foram uma agradável companhia para os momentos de tédio. Porém, mesmo com telas multitoque e sensores de todos os tipos trabalhando para deixar a jogatina mais divertida, nenhum smartphone havia chegado perto de oferecer uma experiência minimamente comparável com a de jogar em um console. Por isso, a estreia do Xperia Play, da Sony Ericsson, marca o início de uma nova era dos jogos no celular. O modelo, que deve estar nas lojas de alguns países em março (não há data definida para o Brasil), é o tão esperado PlayStation Phone.

À primeira vista, o Xperia Play pode passar como apenas mais um dos novos e poderosos smartphones Android 2.3 com processador de 1 GHz e uma belíssima tela de 4 polegadas. Mas basta colocar as mãos no Xperia Play, como a INFO teve a oportunidade de fazer em Barcelona, durante o Mobile World Congress, para perceber como a brincadeira agora chega a outro nível. Não há comparação entre jogar cutucando uma tela sensível ao toque e comandar as ações por meio dos controles do Xperia Play. Deslizando o LCD horizontalmente para cima, o aparelho oferece um gamepad com controle direcional, as manjadas teclas X, quadrado, triângulo e círculo e dois touchpads para cumprir a função dos joysticks analógicos. A resposta às ações é rápida e precisa.

Segundo a Sony, games consagrados terão versões especiais disponíveis para download no Android Market para o Xperia Play e os futuros smartphones com a certificação PlayStation. A lista inicial inclui Splinter Cell, Guitar Hero, The Sims 3 e FIFA 10 com modo multiplayer. Só é uma pena que as partidas online ainda não poderão ser disputadas em 4G.

5 – Tela dupla
Mesmo com toda criatividade e capacidade de realização das equipes de engenharia e design para tornar a interface entre homem e smartphone a mais prática e confortável possível, certas barreiras parecem quase intransponíveis. Uma delas é o tamanho das telas. Todo mundo quer mais espaço para ver vídeos e fotos e rodar aplicativos, mas ninguém quer levar no bolso um celular quase tão grande quanto um tablet. O Echo, da Kyocera, proporciona a experiência de trabalhar em um LCD equivalente a 4,7 polegadas sem fugir das dimensões típicas de um smartphone de 3,5 polegadas. Como? Trocando o espaço que seria ocupado por um teclado físico deslizante por um segundo display.

Com a segunda tela acionada, o usuário tira proveito da área de visualização extra de diversas formas. A mais elementar é ocupando todo o espaço como se fosse uma única tela. Outra é pondo à prova a capacidade do Echo para encarar tarefas simultâneas com seu processador Snapdragon de 1 GHz rodando sobre o Android 2.2 com um aplicativo aberto em cada LCD. Num primeiro momento, o trabalho multitarefa em duas telas será possível apenas com sete aplicativos customizados para o Echo: navegador, agenda, cliente de e-mail, mensageiro instantâneo, visualizador de fotos, um player de vídeos do YouTube e o de telefone. Esses sete programas também rodam em um modo otimizado para as duas telas.

Para escrever um e-mail, a tela de cima mostra a mensagem e a de baixo vira um teclado virtual. No player VueQue, uma janela roda o clipe do YouTube, enquanto na outra é possível colocar mais vídeos na lista de reprodução. Não há dúvida de que o conceito lançado pelo Echo é dos mais interessantes. Porém, é preciso saber a qual custo em consumo de energia. O fato de ele ser distribuído com uma bateria sobressalente e um carregador para alimentar o Echo e a bateria reserva ao mesmo tempo são uma boa pista do provável calcanhar de aquiles do modelo. O Echo será vendido pela operadora americana Sprint por 199 dólares, em contratos de dois anos.

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